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Conflito entre sócios: como resolver antes que vire ruptura

Foto do escritor: Aracelli Mesquita Bandolin Bermejo
Aracelli Mesquita Bandolin Bermejo
6 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 10 de set.

Duas horas de reunião, nenhuma decisão e a sensação de que tudo vai voltar na próxima semana. Se isso é comum na sua sociedade, o problema não é a pauta — é o que nunca foi dito entre os sócios. Veja como nomear isso antes que trave a empresa.




Quando a reunião termina e ninguém decidiu nada, o problema raramente é a pauta.

A reunião durou duas horas. Discutiram números, prazos, metas. Ninguém levantou a voz. Mas também ninguém saiu com uma decisão, mas “só” com a sensação de que aquela reunião foi para marcar outra reunião. O famoso tudo certo, mas nada resolvido.

Se isso te soa familiar, você não está diante de um problema de gestão. Está diante de um conflito entre sócios que ainda não foi nomeado.

Este é um dos cenários mais comuns, e mais mal resolvidos, dentro de empresas com mais de um sócio, especialmente as familiares. E existe um motivo simples para isso: conflito entre sócios raramente é sobre o que está sendo discutido. É sobre o que nunca foi dito.

Por que o conflito entre sócios costuma ser invisível até explodir?

Toda sociedade nasce de um acordo — de capital, de papéis, de expectativas. O que poucas sociedades fazem é revisar esse acordo conforme a empresa e as pessoas mudam.

Resultado: decisões que deveriam ser técnicas (contratar, investir, expandir) carregam, sem que ninguém perceba, disputas antigas de reconhecimento, de poder ou de justiça entre quem construiu o negócio junto.

Por isso a maioria dos conflitos entre sócios se apresenta disfarçada. Vira desalinhamento estratégico. Vira "ele não me escuta". Vira reuniões que terminam sem discussão, mas também sem decisão.

Na raiz, quase sempre existe uma pergunta não respondida: quem eu sou dentro dessa sociedade, e isso está sendo reconhecido?

A persistência de conflitos entre sócios costuma ser uma grande flecha que aponta a causa: Quais eram e quais são as expectativas de cada sócio para si e para a empresa?

Papéis que nunca foram claramente definidos, em uma divisão de poder que fazia sentido há cinco anos e não faz mais, ou em mágoas que nunca tiveram espaço formal para serem colocadas na mesa são sintomas gritantes de causas silenciosas de algo, por vezes, ignorado conscientemente pelos sócios.

Como resolver conflito entre sócios na prática

Resolver não significa concordar em tudo. Significa criar um processo em que cada sócio possa dizer o que realmente pensa e sente com segurança de que isso não vai custar a relação. Afinal, incontáveis são as decisões travadas por medo do impacto ou por expectativas projetadas nas relações humanas (mas isso merece um texto a parte).

Três movimentos ajudam a destravar essas situações:

  1. Nomear o que está por trás do desacordo técnico. Antes de discutir a decisão em si, pergunte: essa discordância é sobre o assunto, sobre mim, sobre uma expectativa silenciosa minha ou sobre algo que ficou pendente entre nós? Nomear isso em voz alta (ainda que somente para você) já tira metade da tensão da sala.

  2. Separar a pessoa da posição. Um sócio pode discordar de uma ideia sem que isso seja um ataque a quem ele é dentro da empresa. Quando essa separação não existe, toda discordância vira disputa pessoal e a empresa para de decidir.

  3. Trazer uma mediação estruturada quando o diálogo direto já não avança. Existe um ponto em que conversar sozinho deixa de funcionar. Os sócios estão emocionalmente envolvidos no conflito e “sair da ilha para ver a ilha” já não é tão fácil assim. Nesse momento, um processo de mediação com alguém de fora da relação não é fraqueza: é a decisão mais estratégica que a sociedade pode tomar.

Se você reconhece esse padrão na sua sociedade, não é preciso resolver tudo de uma vez.

O primeiro passo real é simples: marcar uma conversa entre os sócios com um único objetivo: identificar, sem buscar solução ainda, qual é o assunto que sempre volta e nunca se resolve. Só nomear isso já muda a qualidade das próximas conversas.

Quando esse assunto for grande demais para ser resolvido internamente, uma mediação de conflitos societários cria o espaço estruturado que a relação direta, sozinha, já não consegue sustentar.

"Toda empresa tem conflitos. Poucas escolhem resolvê-los antes que resolvam a empresa."

INTEGRA: Porque onde há pessoas, a solução deve ser humana.


Fale com a Integra

Se a sua sociedade está travada num conflito que se repete, a INTEGRA – Inteligência Humana e Gestão de Conflitos pode ajudar a estruturar esse processo com neutralidade e método.

 

Sobre a autora: Aracelli Bermejo é fundadora da INTEGRA – Inteligência Humana e Gestão de Conflitos, mediadora, consteladora sistêmica familiar e organizacional e especialista em gestão de conflitos empresariais e familiares. Une visão sistêmica, comunicação e negociação para transformar conflitos em relações mais fortes — nas empresas e na vida.



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